A palavra "drive" vem do inglês e tem o sentido de algo que pode ser conduzido.

Certo, pois os drives têm uma parte que vem do TEMPERAMENTO (a parte da personalidade herdada geneticamente) e outra que é manipulada pelo meio ambiente, no qual se inclui o dono, o adestrador, etc. Essa outra parte, chamasse CARÁTER.

Caráter e temperamento fazem parte da PERSONALIDADE e não podem ser dissociados, a não ser hipoteticamente.

Os drives de guarda dividem-se em 3 drives principais (já vi gente citar drive de cada coisa... rsrs):

1) DRIVE DE DEFESA. Nada mais é do que a manipulação do instinto natural de proteção que os cães têm sobre suas crias, suas fêmeas, seu território, seu dono, seus familiares ou amigos, sua integridade física e da sua liderança (dominância).

Pode ser dividido em drive de defesa de território, do dono, dos familiares, do território, do espaço íntimo (não permitir aproximação de estranhos mesmo fora do território, etc.).

Geralmente, quando um dos drives de defesa é elevado, os outros tendem a ser elevados (pelo temperamento), exceto se manipulados (manipulação altera diretamente o caráter).

Um cão com drive de defesa alto tende a ser melhor GUARDIÃO TERRITORIAL.

Normalmente, não tem muita simpatia por estranhos nem gosta muito de brincadeiras com pessoas desconehcidas.

São cães mais fáceis de atacarem ao se sentirem acuados ou ameaçados ou por perceberem (ou imaginarem) ameaças a seus donos ou familiares.

Raças como o fila, o mastino napolitano, o rottweiler (os molossos em geral) têm propensão de ter esses drives mais elevados.

2) DRIVE DE RAPINA: Chamado pela maioria das pessoas como "DRIVE DE CAÇA", pois realmente é baseado na atividade predatória do cão.

Prefiro particularmente a palavra "rapina" para evitar que neófitos confundam "drive de caça" com capacidade de caçar animais.

Um cão com alto drive de defesa tem a tendência a não permitir aproximação de estranhos, a não fazer novas amizades. Já um cão com alto drive de rapina tem a tendência de perseguir o figurante, mesmo que não sinta nele nenhuma ameaça.

Os cães que atacam com maior base no drive de rapina, o fazem por puro prazer, muito mais do que por sentir (ainda que inconscientemente) qualquer tipo de ameaça.

Digo "ainda que inconscientemente" pois é possível que não seja tão perceptível para um cão treinado a percepção da ameaça (no drive de defesa) em nível consciente para que ataque. Mas, em nível de inconsciente os instintos de proteção foram manipulados.

É através do Drive de Rapina que as fêmeas dos mamíferos carnívoros ensinam suas crias a caçar e a abater a presa.

Fazem isso sem que o filhote se sinta acuado. Muito pelo contrário, o filhote recebe ESTÍMULOS POSITIVOS para o ataque.

É, o drive de rapina, a mola que impulsiona um cão a um ataque lançado de longa distência, à caça propriamente dita, à busca de um fugitivo.

Cães que usam esse drive (rapina) para o ataque tendem a ser mais "mangueiros", isto é, a se fixarem na manga e não mais largarem. A atacarem e não pararem o ataque.

São cães que, por um lado, podem realizar ataques incríveis sob comando e, por outro, podem até ser roubados por pessoa que saiba como os agradar.

As raças com tal drive mais alto são todos os bull & terriers (pit bull, american staffordshire, bull terrier). Aí também estaria o dogue brasileiro. Mas o dogue tem um drive de defesa mais alto do que os bull & terriers. Mesmo assim, não chega a ser um cão de drives de ataque (defesa e rapina) equilibrados, como é o pastor alemão, o malinois e o dobermann (ou deveriam ser - falo em tese).

3) DRIVE DE OBEDIÊNCIA: não é um drive, mas pode ser tratado da mesma forma que um drive. Representa a capacidade do cão em obedecer e ser treinado a obedecer.

Devemos ensinar concomitantemente (pelo método que preconizo) o ataque e a obediência.

Há quem defenda que se deve ser rigoroso na obediência para depois começar o ataque.

Isso é herança de um certo receio da perda de controle do cão e de certa insegurança por parte do adestrador em sua capacidade de controlar o cão, a qual muitas pessoas capazes o fazem apenas porque aprenderam assim, seguindo uma escola ou método de adestramento.

Prefiro trabalhar com os 3 drives juntos para poder manipulá-los de acordo com a personalidade e o equilíbrio de drives de cada cão.

Assim, damos a cada cão o aumento que ele precisa no dirve específico para que ele chegue aonde queremos.

Quando ensinamos um cão de altíssimo drive de rapina, como é o pit bull, devemos saber dosá-lo com o drive de obediência. Senão, em uma só aula, ele poderá definitivamente se negar a largar a manga.

Outro erro é estimular um pit (ou um dogue) a "ganhar a manga", o que é realizado com cães com drives de rapina não tão exacerbados.

É esse erro que cometem pessoas a ensinar outras raças que necessitam mais vigorosamente desse estímulo.

Um pit bull ensinado assim pode virar um cão que não mais queira largar a manga, ou a presa.

Raças selecionadas para uma melhor obediência são as que têm mais elevado o drive de obediência. Podemos citar o labrador, o pastor alemão, o boxer, o dobermann, o rottweiller.

O dogue brasileiro também pode ser incluído pela sua obediência que herdou do boxer.

A OBEDIÊNCIA decorre, por sua vez, de dois fatores: concordância de obedecer (obediência propriamente dita) e capacidade do cão entender o que o dono ou adestrador quer.

A capacidade de entender o que o dono quer decorre de mais 2 fatores: ATENÇÃO e INTELIGÊNCIA.

A atenção, por sua vez, divide-se em VIGILÂNCIA e TENACIDADE.

VIGILÂNCIA é a capacidade do cão perceber estímulos novos. Primordial nos "cães de alarme", como o miniatura pinscher e o fox paulistinha.

TENACIDADE é a capacidade do cão em se manter fixado em um mesmo estímulo, ou seja concentrado. É o que ocorre com o bull terrier, injustamente taxado por muitos de "burro".

Tenacidade e vigilância são duas variáveis que não podem ser maximizadas conjuntamente.

Quando nos concentramos em algo (externo ou no nosso pensamento) não prestamos muita atenção ao que ocorre em nossa volta.

Quando estamos muito atentos, por sua vez, não conseguimos nos concentrar direito em nada.

Um cão hipervigil tem dificuldade de se fixar em só estímulo e difícil é que preste atenção aos comandos e ao adestrador.

Um cão hipertenaz fixa-se em um só estímulo e tem dificuldade até de escutar comandos. É o caso do bull terrier.

Portanto, vigilância e tenacidade devem estar em um nível de equilíbrio para que haja uma boa capacidade de adestramento.

Uma bolinha, por exemplo, é recurso que pode ser usado para chamar atenção do cão para o adestrador. Mas, se o cão for hipertenaz, pode se fixar tanto na bolinha que não perceber a pessoa do adestrador.

A maior parte dos problemas no aprendizado decorre mais de falta de atenção do que de inteligência.

INTELIGÊNCIA, para simplificar, podemos resumir como a capacidade de um indivíduo equacionar os problemas para se adaptar a novas situações.

Fonte: http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=5374462&tid=2475617609680044551

 

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